[Crítica] O Jogo – Elle Kennedy

Vamos falar de literatura erótica!

O Jogo é o terceiro livro da série Amores Improváveis, da autora canadense Elle Kennedy.

E eu to começando a resenha já pelo terceiro livro porque eu sou estúpida e li achando que era livro único, parabéns pra mim!

 

 

A história

O livro conta a história de Allie Hayes, que acabou de terminar um namoro e, viciada em relacionamentos que é, precisa de ajuda dazamiga para conseguir permanecer firme no curso. Porque o ex tá louco mandando mensagem e ela sabe que se encontrar o cara, não vai resistir e volta pra ele.

Só que a melhor amiga dela está viajando com o namorado e sugere que Allie fique na casa do boy dela, pra poder escapar do ex e não ficar sozinha.

É a partir daí que Allie se aproxima de Dean. Jogador de hóquei, pegador geral, gato espírito livre, “só-quero-caso-nada-de-relacionamento”, etc etc.

Se eu contar o que acontece a partir daí seria spoiler, então… não.

 

Os personagens

O que eu mais gostei desse livro é que os protagonistas têm uma vida além do outro. Eles tem suas questões profissionais, pessoais, ambições e problemas para lidar que em nada envolvem a companhia romântica do momento. E tudo isso é bem desenvolvido ao longo da narrativa.

Isso, pra mim, enriqueceu bastante a história, porque eu me percebi interessada não só pelo desenrolar do romance, mas também pelo desenrolar de cada uma dessas sub-tramas.

 

O sexo

 

Ao contrário de outras séries, (Stage Dive por exemplo), O Jogo não decepciona pra quem quer história erótica.

As cenas são muitas, os cenários variados e a escrita é boa.

Minha única crítica aqui é que a autora pula umas duas cenas que teriam sido muito boas de ler na íntegra. Por exemplo, (pequeno SPOILER) o cara vai fazer uma surpresa para a menina e eles fazem sexo por telefone. Show, né não? Pois é, só que a cena NÃO é narrada para o leitor.

Eles apenas mencionam que aconteceu, depois. Isso também acontece em um ou dois outros momentos na narrativa.

Mas eu daria nota 3,5/5 para o sexo nesse livro.

Isso é uma boa nota.

Eu sou muito criteriosa com meu sexo literário.

 

Preconceitos

Uma questão que eu tive com esse livro é que ele faz algumas abordagens que são problemáticas.

Não é o pior que já vi em um livro erótico. Na verdade, no espectro de preconceitos o dele até é considerado suave. Mas elementos de machismo e homofobia como “coisa de menina e coisa de menino” ou críticas a um homem que cozinha, são coisas que aparecem ao longo da história.

Nada alarmante ou abusivo, mas se você é sensível a questões assim, leia sob sua conta e risco.

Um contraponto a isso é o fato de que é perceptível que os personagens podem ser preconceituosos – simulando o que, de fato, acontece na sociedade – mas a autora não tem intenção de perpetuar essas ideologias danosas. Então, em muitos momentos, ela usa outros personagens para evidenciar que tal discurso foi machista ou homofóbico. Ou seja, pelo menos a coisa não passa em branco.

 

Os clichês

Fazia muito tempo que eu não lia um livro erótico e ficava na dúvida se o casal ia realmente ficar junto no final ou não. E aconteceu isso lendo O Jogo. Eu realmente fiquei na dúvida do que iria acontecer e acho que isso é um bom ponto positivo. A história não é exatamente revolucionária, mas foge de alguns clichês e eu achei isso bacana.

 

A protagonista feminina

Eu fiquei muito satisfeita com a Allie.

Eu vou precisar dar alguns spoilers nesse ponto, então fiquem avisados.

Ela abandona um relacionamento para colocar sua carreira em primeiro lugar, ela não tem medo de tentar mudar seu modo de ver as coisas e encarar seus próprios preconceitos que é algo que eu admiro bastante.

Outra coisa que eu gostei é (SPOILER) o fato dela resistir no relacionamento em um momento delicado, mas saber que tudo tem limite e acabar o relacionamento quando fica demais pra ela. Allie não sofre nenhum tipo de delírio amoroso que a faz acreditar que ela é capaz de mudar um homem com amor e, quando a situação fica dolorosa demais, ela sabe dizer “adeus” e ir cuidar de si.

ADOREI o discurso do “eu te amo, mas preciso passar um tempo sozinha porque eu nunca estive sem namorado nos últimos anos e preciso ver como é”. Adorei. Show, Elle Kennedy.

E a narrativa do protagonista masculino nesse momento também foi muito válida: ele dá o espaço que ela pede e vai cuidar da vida dele. Ele percebe que fez merda sozinho, não porque “o amor mudou ele” e, no fim, é um momento de catarse com os amigos que faz ele começar a sair do buraco.

Ele sair se desculpando de todas as pessoas que magoou e sofrendo as consequências cruéis de sua imprudência foi maravilhoso também.

 

Conclusão

Recomendo para quem procura:

  • Leitura leve
  • Personagens interessantes
  • Histórias paralelas além do romance
  • Muitas cenas eróticas

 

Nível de clichê – 3,5/5

Nível de sexo – 4/5

Nível de empoderamento – 4/5

2 comentários em “[Crítica] O Jogo – Elle Kennedy

  1. Quando eu comecei a ler o livro também não sabia que fazia parte de uma série. Gosto muito da escrita da autora. Não é minha série favorita, mas dá pra passar o tempo.

Deixe uma resposta