5 protagonistas eróticas que são exemplo de empoderamento

É uma verdade que romances eróticos podem ter algumas mocinhas capazes de envergonhar o gênero feminino com suas inseguranças, eterna virgindade ou – a gente precisa admitir – falta de inteligência e amor próprio.

Mas, também é verdade que isso pode acontecer em qualquer gênero… enquanto o erótico carrega esse estigma da mulher-personagem-submissa com um peso mais grave que os demais.

Esse tipo de estereótipo me parece criado por pessoas com excesso de preconceito e limitadas em seu conhecimento a um punhado de obras que, mesmo tendo feito sucesso, não representam o estilo como um todo.

Vejam bem: não estou recusando que existe um caráter machista efervescendo dentro do gênero (algo que pretendo discutir em outro momento), mas apenas digo que é muito simplista reduzir o erótico inteiro a esse pensamento.

Para fortalecer meu argumento, escolhi aqui 5 protagonistas de romances eróticos que – na minha opinião – servem como excelentes exemplos de empoderamento.

Para critério de decisão, foquei nos livros internacionais não por falta de amor ou de exemplos na literatura nacional, mas porque também sou autora e não me sinto a vontade hierarquizando o trabalho de colegas em uma lista.

Exemplos nacionais serão dados aqui no Malcriadas, em momento posterior, e não como listas <3

Eu também procurei listar aqui mulheres que não fossem o tipo “mulher perfeita”: A linda, inteligente, poderosa, que lacra a história inteira e não possui qualquer defeito. Não acho que isso traduz um bom exemplo para mulheres reais (embora não impeça que se traduza em uma boa história. Por exemplo Cretino Irresistível que eu, pessoalmente, acho ótimo, mas a protagonista não tem defeitos, gente, sério).

Então, vamos a elas!

 

5 – Incontrolável, Sylvia Day

Isabel, a Lady Pelham, foi uma surpresa curiosa para mim.

A sinopse promete que Isabel é uma mulher libertina que se casa com Gerard Faulkner para manter as aparências, já que o jovem Marquês tem apetites sexuais muito similares aos da esposa.

Eu comecei a leitura esperando cenários libidinoso de um jovem casal anacrônico combatendo os preconceitos de época. No entanto, Isabel – sem qualquer pudor contra a palavra – é muito mais “livre” do que “libertina”. Viúva, tem encontros amorosos com diferentes homens o que lhe rendeu uma reputação ruim. Mas o que seria péssimo para qualquer mulher da época, Isabel encara com dignidade.

Durante o livro, fica perceptível que não é uma questão de “ligar o foda-se”… é uma questão de “transcender o foda-se” e tornar-se dona do próprio corpo e da própria vontade de um modo tão puro que não pode ser questionado. Assistir o relacionamento dela com Gerard se desenrolar foi uma surpresa deliciosa.

[SPOILER NESSE TRECHO] Além disso, adorei o crescimento da personagem que era uma garota boba e apaixonada, e aprendeu com a vida que isso não a levaria a lugar algum, desenvolvendo uma excelente dose de amor próprio. ADORO histórias que nos permitem ver o avanço da personagem feminina.

 

4 – Playboy Irresistível, Cristina Lauren

Eu disse que o Cretino – livro inicial da série Irresistível – ficaria fora da lista, mas seu irmão mais novo garantiu um lugar.

A Hanna é outra protagonista que me surpreendeu. Pela sinopse, eu achei que ela ia ser uma mocinha deslumbrada pelo melhor amigo do irmão que cresce para se tornar uma mulher forte que o conquista. Mas gente, se tem uma protagonista de romance erótico que ganhou o cara na personalidade, essa moça é a Hanna. E ela me ganhou também.

Ela é leve. Achei isso refrescante.

Não tem jogos de poder. Não é uma personagem extremamente erótica, mas ao mesmo tempo não é nula.

Ela é TÃO “mulher comum” que me fascinou. Em todas as sua qualidades e defeitos, a Hanna é aquela menina que podia ser tua vizinha. Aquela que você gosta, mas de vez em quando faz umas merdas.

E, mais importante: uma mulher que olhou para si e foi capaz de dizer “isso aqui, não curto isso aqui” e decidiu mudar.

E eu já disse o que acho de mulheres que evoluem em narrativas, não é?

 

3 – O Jogo, Elle Kennedy

Allie talvez seja a minha protagonista erótica favorita no quesito “empoderamento de mulheres imperfeitas”. Vai ser impossível falar dela sem alguns spoilers…

[SPOILERS NESSE TRECHO] Allie vai da garota que não conseguia terminar com o namorado porque não sabe ficar solteira, para a mulher que se afasta do homem que ama porque percebe que ele está lhe fazendo mal. É um combo de se tocar que “mudar homem problemático não é papel da mulher” com um extra de “preciso aprender a ficar sozinha para ver como é” que eu achei LINDO. O livro também traz uma desconstrução da ideia de “vagabunda” que eu achei bem pertinente.

Resenha completa dele aqui.

 

2 – O Amante de Lady Chatterley, DH Lawrence

Abram alas pra Constance passar.

O romance de Lawrence conta a história de Constance Reid, casada com um cara bem de boa (Sir Clifford Chatterley) que foi paralizado da cintura para baixo por causa de um acidente na guerra. A narrativa se desenrola com Constance tentando lidar com suas expectativas e frustrações sexuais quando, apesar de ter no marido um bom companheiro, percebe que seu corpo precisa de algo que ele não parece mais disposto a dar (porque nem só de penetração vive uma mulher, convenhamos).

Tenho questões com esse livro, mas MIGA, é sobre uma moça que percebe que precisa de sexo e que tá tudo bem, nada de errado com isso. Uma mulher que encara seu corpo sem pudor e opressões sociais para descobrir que o caminho da alegria é ser honesta consigo mesma. Não é maravilhoso?

O pensamento do ato sexual ser visto como apenas um diálogo entre pessoas com interesses em comum é revolucionário nos dias de hoje, mas em 1930 quando o livro foi escrito, colega… o babado era enlouquecedor.

Tanto que foi proibido de ser publicado por ser caráter obsceno. Mas isso aí já é outra história.

 

1 – Anaïs Nin, Diários

Se erotismo fosse um reino, Anaïs seria a Rainha.

Tanto que é bem apropriado que ela tenha se tornado uma quase-personagem em sua própria narrativa autobiográfica. Em seus diários, ela cobre praticamente 40 anos de sua vida, narrando todos os detalhes – belos e sórdidos – inclusive casos, traições, descobertas e desilusões.

É um livro erótico real de uma mulher que, ao longo de 40 anos de narrativa, descobre que todas nós nascemos com uma força que não pode ser medida, independente de nossas falhas, descrenças ou derrotas.

Com uma vida profundamente imperfeita, Anaïs conseguiu ser a frente de seu tempo em incontáveis quesitos, superando não apenas os preconceitos dos outros, mas também os seus próprios (esses, creio eu, são os mais difíceis de superar).

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