Sim, queremos mulheres contando as nossas histórias!

 

Uma coisa que muita gente que não é ligada ao que acontece no mundo do cinema não se atenta, é que o número de cineastas mulheres é muito inferior ao de homens. Os motivos são variados, mas todos acabam chegando a um denominador comum: a indústria do cinema é majoritariamente masculina e se fecha para o trabalho feminino.

A luta para se ter mais realizadoras têm crescido e vários projetos estão sendo feitos ao redor do mundo, mas ainda é preciso abrir muito espaço.

É por isso que cresce um incômodo enorme quando escolhem um diretor homem para dirigir uma adaptação de um livro escrito por uma mulher, contando uma história com protagonismo feminino; o que aconteceu recentemente quando a HBO divulgou que o escolhido para dirigir a adaptação da tetralogia Napolitana, da Elena Ferrante, é Saverio Constanzo. Sim, ele tem um bom currículo e provavelmente vai colocar uma bela história na tela. O problema é que contratar um diretor homem dá seguimento a uma cultura na indústria do cinema que é muito prejudicial às mulheres: a de desacreditar o trabalho das cineastas.

Ao contratar um homem é como se dissessem que não existem diretoras boas o suficiente para dirigir a série, o que claramente não procede. Dentro das universidades de cinema ao redor do globo existem tantas mulheres quanto existem homens, mas é impossível dizer que os espaços se abrem com a mesma facilidade para o trabalho feminino. Uma mulher cineasta tem que se provar competente todo o tempo e, ainda assim, as oportunidades não serão muitas.

É verdade que muitas adaptações de histórias com protagonismo feminino foram feitas e dirigidas por homens, e algumas com resultados excelentes. Garota Exemplar, livro da Gillian Flynn, foi roteirizado por ela mesma, mas David Fincher dirigiu o filme muito bem. Carol é outro caso onde uma mulher – Phyllis Nagy – fez o roteiro da adaptação da obra da Patricia Highsmith, mas o filme foi dirigido pelo Todd Haynes. Recentemente Big Little Lies, livro da Liane Moriarty foi adaptado para a TV, sendo roteirizado pelo David E. Kelley e dirigido pelo Jean-Marc Vallée.

Todos esses casos são a prova de que homens, quando possuem um bom material e uma sensibilidade criativa, podem adaptar e dirigir filmes e séries que contam histórias femininas. Da mesma forma que uma mulher pode adaptar um material escrito por um homem, mas já notaram que isso quase nunca acontece?

Não é que eu quero dividir o que é “de homem” e o que “é de mulher” e dizer que adaptações de histórias femininas só devem ser dirigidas por mulheres. A questão é que a preferência é logo dada para um homem, o que é absurdo.

Já passou da hora disso mudar. Precisamos ver cineastas mulheres contando as nossas histórias.

 

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