Ter doenças mentais não te impede de viver alucinadamente feliz

 

Volta e meia eu comento com amigos que precisamos acabar com o tabu que ainda existe sobre as doenças mentais. Quanto menos se fala no assunto, maior o estigma sobre ele. Então foi muito interessante me deparar com Alucinadamente Feliz e a narrativa leve da Jenny Lawson.

Logo no início do livro a autora enumera a lista de problemas crônicos e mentais que possui. E não são poucos. Segundo os especialistas que visitou ela é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada e distúrbio de automutilação brando proveniente de um transtorno de controle de impulsos. Pela forma como muitos pensam sobre depressão, seria de imaginar que alguém que precisa tomar doses enormes de remédios para conseguir viver com um mínimo de qualidade de vida fosse solitária, triste, sem grandes perspectivas. Muito pelo contrário. Com uma carreira de sucesso, um casamento de 17 anos cujo marido diz que a vida é mais feliz ao lado dela, sendo mãe de uma filha saudável e amorosa e possuindo vários amigos que a aceitam mesmo não sendo nada tradicional, ela é um exemplo de que a vida com esses transtornos não é fácil, mas vale a pena ser vivida em sua totalidade.

Com sua narrativa leve Lawson consegue mostrar que depressão jamais deve ser romantizada. Não é legal, é uma jornada cheia de altos e baixos; mais baixos que altos, na verdade. Ainda assim ela conta tudo com tanta leveza, tão bom humor que mesmo narrando alguns acontecimentos difíceis, fica difícil não dar risada.

E tudo isso acontece também porque Jenny é cercada por pessoas que mesmo quando não a entendem (nem sempre é fácil entendê-la), eles a aceitam. E demonstram o quanto ela é importante.

A autoaceitação também é importante. Ela reconhece os próprios problemas, sabe que mesmo tendo muito amor da família e dos amigos precisa dos seus tratamentos, por maiores que sejam os efeitos colaterais.  Sabe que a normalidade como muitos reconhecem não é algo que faz parte de quem ela é. E ela não é menos que nenhum outro ser humano por causa disso. Existem pessoas que buscam tratamento para seus problemas no coração, no fígado ou em outras áreas do corpo.  Como cada uma dessas pessoas, Jenny tem um problema e foi atrás de tratamento.

É realmente um livro incrível. Cada crônica da autora diverte e faz pensar ao mesmo tempo. E mostra que a felicidade não precisa seguir padrões. Cada um pode ser alucinadamente feliz a sua própria maneira.

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