Taylor Swift, a artista que a mídia ama odiar

 

Esta semana a Taylor Swift depois de muitos boatos, alguns escândalos e muitos meses de silêncio, voltou. E deixando claro que não importa o que você pense dela, a cantora é uma força a ser reconhecida e ninguém pode fazer nada contra isso. Mesmo quando apenas anunciou o lançamento do primeiro single de Reputation, seu novo álbum de estúdio, ela foi o assunto preferido em todas as redes sociais. E após algumas horas do lançamento de Look What You Made Me Do, ela está em todos os sites de notícia, blogs de música ou não, canais do YouTube; já pipocam os covers da canção e os comentários dos haters e da imprensa. E é sobre isso que eu vim falar hoje.

Uma mulher empoderada incomoda muita gente, uma como a Taylor Swift (com muitos prêmios, muito dinheiro, muitos homens no currículo) incomoda muito mais. E a imprensa que ama elevar carreiras, também odeia quando alguma jovem mulher consegue ultrapassar as notícias dos jornais e obter sucesso mesmo com o excesso de críticas negativas.

Quando a cantora surgiu, com seu visual de princesa, cantando sobre amores irreais e com um som meio country ela era adolescente. Como todas nós ainda não sabia quem era e tinha muito chão até descobrir seu verdadeiro eu. Durante os anos seguintes ela lançou novos álbuns, participou de filmes, séries; mudou o estilo das músicas, seu próprio estilo e se tornou uma das artistas mais poderosas da indústria musical. E como tal ela rende audiência, o que a mídia adora.

Seus relacionamentos sempre foram alvo de comentários, suas rixas pessoais também. E como ela escreve músicas que têm ligação direta com as experiências da própria vida, se torna um prato cheio para tabloides sensacionalistas. A mídia ama odiar a Taylor Swift, e o curioso é que muitas coisas que criticam na artista, elogiam em homens na mesma posição.

É curioso como quando um homem escreve sobre seus relacionamentos nas suas canções ele é um artista cheio de coisas profundas para dizer, mas quando é uma mulher – jovem, bonita, feminina e que não sente vergonha do seu sucesso – a coisa muda. Um bom exemplo são as formas distintas que tratam a Taylor e o Ed Sheeran (que é amigo da cantora, inclusive). Todas as atitudes da Taylor são julgadas de maneira implacável.

Se ela critica algo que acredita ser injusto ou deixa claro que não gostou da atitude de algum outro artista, é uma cobra; se troca de namorado e explora a própria sexualidade, é uma vadia; se toma conta de maneira obsessiva da própria carreira e assumidamente usufrui do que construiu com seu  próprio esforço, é uma manipuladora desavergonhada. Não gostam das narrativas que ela cria para vender sua carreira quando toda carreira é uma história criada, toda pessoa pública é também uma personagem. O real e a ficção podem se misturar, e nas canções e carreira da Taylor realmente se misturam; mas como ela mesma disse à Rolling Stones “as pessoas pensam que sabem toda a narrativa da minha vida”, “acham que tem todos os meus relacionamentos mapeados” e mesmo sendo uma pessoa com uma vida muito exposta, ninguém pode saber tudo o que acontece. Só que mesmo o público não sabendo de tudo, sempre irão relacionar música X da Taylor a artista Y que ela teve algum relacionamento ou problema. E isso é motivo o bastante para que ela seja massacrada pela mídia.

Tudo que tem o dedo da artista é massivamente explorado e criticado. Antes reclamavam por ela ser perfeita, agora falam por que ela não é. Óbvio que a cantora não é perfeita, tem atitudes questionáveis; mas qual ser humano não age de maneira questionável de vez em quando? O ponto aqui não é esse.

Para quem acompanha seu trabalho é óbvio como ela joga com a indústria e não se envergonha disso. Taylor é perfeccionista e extremamente ambiciosa, mas sendo uma mulher a ambição deve ser dosada. É considerado uma ofensa ser do sexo feminino, ter tanto controle da carreira e de cada passo dado no caminho e isso sem fazer uso do corpo. E isso não é uma crítica às artistas que usam o corpo porque desejam fazer isso; mas em um mundo que tanto objetifica as mulheres, fazer sucesso sem usar o corpo como trampolim é ofensivo para a nossa sociedade misógina. Seria da mesma forma se ela fosse homem? Se este fosse o caso ela estaria sendo endeusada pelas mesmas pessoas que jogam pedra. Porque o pensamento coletivo é como disse a Chimamanda Ngozi Adiche “você pode ter ambição, mas não muita; você pode desejar ser bem sucedida, mas não bem sucedida demais, senão você ameaça o homem”, porque os homens nascem para o sucesso, para ascender na vida mais e mais, as mulheres, não. Elas até podem conquistar algumas coisas, mas nunca em excesso. Isso tem que ser dizimado.

E o lançamento do novo single Look What You Make Me Do mostra que mesmo depois de todo o escândalo com o Kanye West e a Kim Kardashian, os problemas com o ex Calvin Harris, os artigos sobre como ela sempre se fez de vítima, Taylor mais uma vez tomou conta da sua narrativa.

Pegando todas as situações ruins e que poderiam ter derrubado a sua carreira e, como uma fênix que renasce das cinzas ou uma cobra que troca de pele e retorna melhor do que antes, lançou sua nova música de trabalho sem tentar fugir do passado e tentar parecer uma santa. Na canção ela diz que a “velha Taylor está morta”. Ela parece pronta para mostrar a todos um novo lado. Pegar o papel de vilã que a mídia lhe deu e fazer uso dele em benefício próprio. E com isso ganhar mais dinheiro e prêmios do que já ganhou. Porque ela não brinca quando se fala do próprio trabalho.

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