Produtor de The Hunting Ground acusado por décadas de assédio sexual

 

Harvey Weinstein é um gigante de Hollywood.

Você pode não conhecer seu nome, mas conhece seus filmes.

Gênio Indomável, Pulp Fiction, Senhor dos Anéis, Gangues de Nova York, O Discurso do Rei e o Lado Bom da Vida, são alguns exemplos entre os mais de 300 filmes já produzidos por sua empresa.

Vencedor de seis Oscars de Melhor Filme, Weinstein se considera um liberal pro-feminista, ganhador de prêmios humanitários e envolvido em projetos enaltecidos pela crítica como Carol. Foi ele também o produtor que deu um estágio para Malia, filha do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

É também do seu estúdio o premiado documentário The Hunting Ground, que evidencia a epidemia de estupros em universidades americanas.

O cidadão parece ser um exemplo, não é?

Seria uma pena se ele tivesse 30 anos de acusações de assédios sexuais nas costas.

Uma investigação feita pelo New York Times encontrou acusações – não levadas ao público – contra Weinstein, pelas últimas três décadas, documentadas em entrevistas (com funcionários atuais e prévios), registros legais, emails e documentos internos de sua empresa. Durante esse período observado, Weinstein fechou acordos com pelo menos oito mulheres, entre elas: uma assistente em Nova York em 1990, uma atriz em 1997, uma assistente em Londres em 1998 e uma modelo italiana em 2015.

A atriz Ashley Judd foi uma de suas vítimas. Há 20 anos, convidada para o que imaginou ser um café da manhã de negócios no hotel Peninsula Beverly Hills, Judd foi enviada para o quarto do produtor que a recebeu de roupão, perguntando-lhe se poderia lhe dar uma massagem ou se ela gostaria de assisti-lo tomar banho.

 

“Como faço para sair daqui o mais rápido possível sem alienar Harvey Weinstein?” é o que a atriz se lembra de ter pensado.

Em 2014, Weinstein convidou Emily Nestor – uma funcionária temporária com um dia de trabalho – para o mesmo quarto de hotel e prometeu um avanço em sua carreira caso ela aceitasse suas investidas sexuais. No ano seguinte, foi a vez de uma assistente ser obrigada a lhe fazer uma massagem enquanto estava nu, deixando-a às lágrimas.

Coube a Lauren O’Connor, em 2015, reunir todas as informações em um memorando de denúncia ao seu chefe, demonstrando a situação vil que se passava dentro da empresa. De acordo com ela, Weinstein a colocava para discutir opções de elenco com aspirantes a atrizes depois que elas tinham encontros privados com o produtor em seu quarto de hotel.

A diretoria da empresa, no entanto, achou que o caso não merecia ser investigado. Um acordo foi feito entre Weinstein e O’Connor para que a denúncia fosse retirada e o caso permanecesse em silêncio.

Em entrevistas, as mulheres agredidas – normalmente no começo dos vinte anos – denunciaram diferentes comportamentos por parte de Weinstein: aparecer nu na sua frente, exigir que assistissem enquanto tomava banho, pedir uma massagem ou começar uma.

Em declaração, Weinstein disse que “Eu entendo que meu comportamento perante colegas lhes causou muita dor, e peço sinceras desculpas. Apesar de estar tentando ser uma pessoa melhor, sei que ainda tenho um longo caminho a trilhar”.

O produtor também anunciou que pretender tirar uma licença do trabalho e processar o New York Times por difamação.

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