Vídeo de Jason Momoa fazendo “piada” com estupro é antigo mas não é irrelevante

A última semana tem sido movimentada em Hollywood.

Começou com a denúncia feita pelo New York Times  ao produtor Harvey Weinstein, acusando-o de décadas de agressão sexual.

Atrizes como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow juntaram-se ao elenco de denunciantes, e Rose McGowan teve até a conta do Twitter suspensa depois responsabilizar Ben Affleck, parcialmente, ao dizer que ele sabia do escândalo e se omitiu.

Com a polêmica, assuntos antigos foram ressuscitados e, embora isso não seja – por si só – um problema, anunciar evento velho como se fosse novidade é, no mínimo, antiético.

Entre essas “novas velharias”, veio a superfície um vídeo do ator Jason Momoa (o Khal Drogo de Game of Thrones e Aquaman do novo Liga da Justiça) transformando violência sexual em motivo de piada.

 

 

No vídeo, ele diz:

“No gênero de Sci-Fi e Fantasia tem tantas coisas que você pode fazer, como arrancar a língua de um homem pela garganta… ou estuprar belas mulheres”.

O comentário se encerra com as gargalhadas do público e constrangimento de parte do elenco que esconde o rosto nas mãos.

O vídeo, embora tenha ressurgido diante da polêmica de Weinstein, não é novo. E sim do painel de Game of Thrones na Comic Con de San Diego em 2011.

Embora muitas pessoas afirmem que Momoa pediu desculpas pelo seu comentário agressivo, é difícil encontrar fontes oficiais que confirmem essa afirmação. Temos apenas uma entrevista com o Khal, onde ele explica que, na verdade, detestava filmar essas cenas violentas e que não gosta de ver mulheres chorando em sexo.

Ele ainda completa dizendo que não quis assistir a estreia de Game of Thrones com sua esposa, e disse a ela “eu não faço nada nos primeiros dois episódios a não ser sexo com Emilia Clarke. Eu nem falo”.

Afirmações que, embora passem longe de um pedido oficial de desculpas, não deixam de evidenciar que o ator certamente não parece achar que “estuprar belas mulheres” é uma parte divertida do trabalho.

Embora a “piada” – e uso a palavra aqui por motivos didáticos e na falta de outra, pois dificilmente se encontra qualquer coisa jocosa quando o assunto é violência sexual – seja antiga, a cultura do estupro sobre a qual se baseia é viva e forte.

As risadas do público diante de um comentário baixo e violento são o demonstrativo perfeito de algo que afirmamos a exaustão: enquanto o comportamento geral diante do assunto “estupro” for um de descaso e indiferença, sempre teremos pessoas dispostas a encarar o ato em si como uma bobagem.

O comentário pode ser antigo e esperamos que Jason Momoa tenha evoluído nos últimos seis anos, mas a natureza da “piada” usada é assunto que não pode perder a relevância enquanto não for plenamente combatido.

A questão não é culpar Momoa pelo seu comentário.

A questão é não esquecer.

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