[Crítica]De Volta Para Casa: divertido, mas esquecível

Comédias Românticas não andam fazendo muito sucesso. Nos últimos tempos poucas são as lançadas comercialmente e o número cai quando falamos de lucro.

De Volta Para Casa faz parte do gênero, se agarra em alguns tropes, mas tenta fugir de alguns clichês ofensivos e comuns dentro do estilo.

Estrelada pela Reese Witherspoon – atriz que tem feito trabalhos empoderadores para mulheres e que faz questão de lutar contra a desigualdade dentro da indústria cinematográfica – o filme conta a história de Alice, uma mulher que acabou de se separar do marido e se mudou com as duas filhas de Nova York para Los Angeles. Ela está sem emprego e morando na antiga casa do pai, que era um famoso diretor de cinema. No dia em que completa 40 anos ela conhece três jovens na casa dos 20 anos. Um aspirante a cineasta, um a ator e outro a roteirista. Ela vira objeto de desejo de um dos rapazes e, bêbada, acaba festejando com os três e as amigas. O que vem a seguir é que ela acaba hospedando os jovens, permitindo que eles acabem se misturando a sua rotina e as das filhas, o que tem repercussões para a vida de todos.

Em alguns aspectos é o típico filme da Nancy Meyers, rainha das comédias românticas do tipo feel good. Na verdade, o filme é dirigido por sua filha, Hallie Meyers-Shyer, em sua primeira incursão como cineasta. E a influência da mãe – que é produtora do longa – fica visível na obra.

É um filme para você achar bonitinho, divertido. O elenco é entrosado, dá conta do roteiro que é simples, mas cumpre sua função de entretenimento agradável. Reese é uma ótima atriz e, apesar da personagem não pedir muito, ela a constrói de forma cativante.

Outra coisa agradável é que pra variar é bom ver homens bons e decentes na tela. Todos os personagens masculinos, mesmo fazendo algumas besteiras, são boas pessoas. O machismo tão comum nas comédias românticas não é algo que chame atenção no longa, o que é um ponto super positivo.

O relacionamento de Alice com um homem mais novo é agradável. Sempre são os homens que ficam com mulheres muito mais novas na maioria dos filmes. É interessante ver uma mulher cuidando das filhas e não abrindo mão da própria sexualidade.

E a forma como o final do casamento da protagonista é retratado foge completamente do padrão, já que geralmente os filmes tendem a deixar que um dos cônjuges seja o vilão. Em De Volta Para Casa, ninguém é unicamente vilão. A separação é algo que aconteceu e é tratada com naturalidade. Ponto para o filme.

Só que os problemas existem. Tirando as coisas boas que citei acima, o filme é uma comédia romântica tradicional, que não acrescenta à sua vida. É divertida, mas completamente esquecível.

Além disso, é uma obra completamente branca. Todos os personagens são brancos, com problemas de brancos, vivendo uma vida de privilegiados em Los Angeles. Ok, muitas pessoas se enquadram nesse grupo, mas me incomoda não ver negros, latinos, homossexuais ou qualquer tipo de minoria em um filme. Acho bem problemático.

E mais, quem deixaria três estranhos morando dentro de casa com duas crianças? Muito irreal. Não dá pra defender um absurdo desses, gente! Por mais que o filme mostre jovens muito educados e agradáveis, não se coloca crianças em risco.

É um filme simples, divertido, mas completamente esquecível.

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