[Crítica]Call Me by Your Name: a beleza e a melancolia no amadurecimento

Luca Guadagnino é um cineasta que em sua carreira vem lidando com o desejo e a sensualidade de diversas formas. Nos seus últimos trabalhos, Um Sonho de Amor e A Bigger Splash, esses dois componentes enchem a tela criando obras que apesar das semelhanças caminham por direções diferentes. Para a adaptação do livro Call Me by Your Name de André Aciman, lançado em 2017, o cineasta italiano não poderia ser nada além de uma excelente escolha.

O romance entre um jovem adolescente e um estudante mais velho é colocado na tela com muita beleza. A sensualidade e o desejo são trabalhados de maneira lenta, usando um tempo dilatado, diversos momentos sem diálogo, para contar uma história onde os pequenos gestos, as coisas não ditas, os detalhes aparentemente sem importância, são exatamente o que importam. Call Me by Your Name (vou usar o título na forma original) é um filme que funciona através do que existe sob a superfície. Como no uso do later que o personagem Oliver diz o tempo todo ao se despedir das pessoas, que poderia ser apenas isso, uma despedida descuidada, mas na verdade possui um significado que pode ser ampliado dentro da narrativa, sempre deixando no ar uma promessa de algo aguardado que virá em seguida.

Com paisagens da cidadezinha italiana em que o filme se passa, em alguns momentos as belas imagens parecem quadros de cenas idílicas e pitorescas; aquilo que seria um verão belo, mas depois dos primeiros momentos de encanto, tedioso. E a maneira que o diretor trabalha o tédio dentro do filme é um dos pontos positivos, já que em sua primeira metade os acontecimentos são aparentemente ordinários, mas nunca se tornam cansativos. O público fica cativado pelos pequenos detalhes das vidas daquelas pessoas tão diferentes umas das outras, mas tão cheias de inteligência e intimidade. Permeado pelos costumes, figurinos e canções do início dos anos 80, somos levados para aquele ambiente sem nem perceber.

Basicamente mostrando a visão de Elio daquele mundo, o longa utiliza a música como forma de fazer o público se conectar com as emoções conflitantes do adolescente. Elio é um personagem que não é visto o tempo todo dentro dos filmes LGBT. Interpretado com uma inteligência e uma sensibilidade impressionantes por Timothée Chalamet, é a representação do adolescente em processo de descoberta. Ainda sem saber exatamente quem é nem o que quer, mas com aquele furor por tudo que é tão característico quando somos muito jovens. Ele sente demais, deseja demais. Ao ponto de ficar perdido com a potência do que sente.

Armie Hammer – em uma interpretação que chama atenção, apesar do filme ser do jovem Chalamet – consegue demonstrar as nuances de Oliver com muita sutileza, mesmo sendo um pouco mais velho do que seria o esperado para o papel.

Amira Casar e Michael Stuhlbarg também brilham como os pais de Elio. Na verdade o Michael nos presenteia com uma das cenas mais bonitas dentro do longa quando seu personagem faz um belo discurso para o filho, e que com certeza vai deixar muita gente emocionada.

Call Me by Your Name é um filme intenso, bonito, melancólico e cativante. O tipo de filme que te faz sair feliz do cinema por ter visto algo tão bom.

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